À l’enseigne d’Oswald de Andrade & de sa « poésie d’exportation », une vitrine arbitraire & généreuse de l’actualité éditoriale & culturelle française autour du Brésil moderniste, poétique, littéraire & artistique. « & Cie »: succursales en développement du côté des avant-gardes hispano-américaines. Livres, documents, trouvailles, curiosités, exclusivités dérisoires. Petit commerce de traduction & affaires d'import-export.
30 juin 2018
27 juin 2018
23 juin 2018
Vient de (re)paraître (au Brésil)
Mara Lobo
(Pagu)
[Patrícia Galvão]
Parque industrial
(romance proletário)
prefácio de
Augusto de
Campos
notas & posfácio de
Antoine Chareyre
posfácio de
Kenneth David Jackson
São Paulo
Editorial Linha
a Linha
2018
Preço de capa : R$ 55
Livro disponível
(av. São Luís, 187 – São Paulo)
*
No blog Bois Brésil & Cie :
*
*
Une soirée avec Pagu
Lancement
du livre Parque industrial de Patrícia
Galvão (Pagu)
à
la librairie Tapera Taperá (São Paulo), 23 juin 2018
Débat
« Entre golpes : mulher e política na literatura brasileira, de 1933
a 2018 »
avec Ana Rüsche & Paulo Ferraz
modéré par Marília Moschkovich (éditions Linha a Linha)
avec Ana Rüsche & Paulo Ferraz
modéré par Marília Moschkovich (éditions Linha a Linha)
22 juin 2018
Propagande transatlantique

Pagu J-1
Este sábado
23/06, às 16h, na livraria Tapera Taperá, São Paulo : lançamento + debate
+ transmissão ao vivo pela página Facebook da Tapera Taperá !
20 juin 2018
[Petite chronique du mouvement international des livres & des idées : un cas d’import-export]
L’intérêt,
parmi tant d’autres, quand on s’efforce de traduire & introduire des
auteurs méconnus si ce n’est de seconde zone, & des textes négligés de
l’avant-veille, emblématiques ou marginaux, emblématiquement marginaux — &
dont il arrive d’ailleurs, au moment même où l’on entreprend de les traduire, qu’ils
ne soient plus édités (ou mal) dans la langue originale, pour ne rien dire des
hapax éditoriaux localisés & exhumés coûte que coûte —, l’intérêt, donc,
c’est que l’on a parfois la satisfaction intellectuelle de voir ces auteurs-là
suivre leur bout de chemin posthume, & ces œuvres-là réapparaître,
reparaître dans leur pays d’origine, & même, parfois, qui plus est, de se trouver
personnellement associé à l’entreprise de réédition — signe, peut-être, qu’on
ne fait pas tout à fait n’importe quoi. Ça circule dans tous les sens &
c’est très bien comme ça.
Joie
& fierté, donc & tout d’abord, de voir paraître ces jours-ci, au
Brésil, la 5e édition qui est aussi la 4e édition posthume
qui est aussi la 1re édition critique en portugais de Parque industrial, ce si singulier romance proletário de la fascinante Pagu
(Patrícia Galvão, 1910-1962), une absolue rareté d’abord autoéditée presque
clandestinement, sous le pseudonyme Mara Lobo, en 1933, puis reprise en 1981,
1994 & 2006 — il revenait de loin, ce petit livre, & comme on le voit,
le rythme des rééditions s’accélère drôlement !
Joie
& fierté, non moins, d’avoir comme qui dirait contribué à cette belle &
nécessaire publication, comme ça, en donnant aux lecteurs brésiliens une
version revue & corrigée, augmentée & adaptée, de la postface & des
notes conçues initialement pour l’édition française (2015), l’ouvrage ayant
connu par ailleurs des traductions en anglais (1993) — Kenneth David Jackson
est également de la partie —, en croate (2013) & en espagnol (2016).
(Un
amical & confraternel coup de chapeau à Daniel Lühmann, qui s’est chargé,
dans une large mesure, de mettre en bel & bon portugais mes quelques
considérations sur l’apparition & les enjeux de ce premier roman
prolétarien (& féministe) de la littérature brésilienne, influencé par le
meilleur de la prose moderniste.)
Forte
émotion, aussi, à l’idée d’en partager le sommaire avec Augusto de Campos, qui
livre ici une préface inédite, lui sans qui Pagu serait sans doute restée dans
les limbes de l’histoire littéraire & culturelle, dans l’ombre maudite de
la mémoire politique brésilienne, et qui est aujourd’hui une légende, & un
exemple.
Gratitude
envers l’initiative de Marília Moschkovich des éditions Linha a Linha, cette
« première maison d’édition féministe au Brésil » qui avec pareil
titre ne pouvait mieux inaugurer son catalogue, sous un label, « Carolina »,
expressément dédié aux écritures féminines & aux questions de genre, aux
voix marginales & discriminées.
&
puis, tant qu’on y est : amitiés volontiers renouvelées à Juliette
Combes-Latour & aux éditions Le Temps des Cerises qui, ayant publié tantôt
la version française du roman (joliment saluée par la critique), se trouvent contribuer de la sorte,
indirectement, à l’histoire de l’édition brésilienne. Pour une petite maison
militante cofondée par Jorge Amado — cet autre pionnier du roman social
brésilien —, c’était bien la moindre des choses…
Revoilà
donc, lisible de tous, portée par un geste éditorial concerté & ouvertement
militant, une fiction efficace, brute & brutale, qui conjugue activisme
communiste & revendications féministes : un brûlot révolutionnaire qui
a de quoi agiter les esprits dans le Brésil de 2018, en proie à toutes les
régressions morales, politiques, sociales & culturelles !
N.B. :
& les lecteurs français, eh bien qu’ils se jettent, si ce n’est fait, sur
l’édition française :
Ça se trouve,
en librairie.
Mais uma vez sobre Pagu e seu romance proletário
Parque
industrial
de Mara Lobo,
aliás Patrícia Galvão, aliás Pagu
por
Paulo Ferraz
Por um acaso alfarrábico,
li às vésperas do Primeiro de Maio o romance Parque Industrial da Pagu, publicado em 1933, sob o pseudônimo de
Mara Lobo, e que não mereceu então um debate crítico mais profundo, salvo
algumas notas na imprensa, entre elas uma publicada em 23.01.1933 no Jornal do Brasil pelo acadêmico João
Ribeiro que a saudava e enaltecia sua estreia com “um livro de grande
modernidade pelo assunto e pela filosofia”, considerando-o um “panfleto
admirável de observações e probabilidades”. Com o passar do tempo acabou
praticamente esquecido com algumas escassas referências acadêmicas em geral
relacionadas à atividade política na literatura, por vezes em comparação aos
livros de Jorge Amado do mesmo período.
O romance de Pagu talvez
não chamasse tanta atenção para exigência estética da burguesia modernista, já
que a narrativa é sempre direta, com cenas curtas e personagens um tanto
esquemáticas que cumprem papeis específicos, prestando-se a cumprir certa sina dentro
da estrutura de opressão social na qual a narrativa se insere. Mas não se trata
de “exigência burguesa”, o livro foi escrito para operários suburbanos da
década de 1930, sua função era a de fazer da literatura uma atividade
comprometida, a qual chamamos pejorativamente de panfletária. Mas aparentemente
seu panfleto desagradou até os comunistas, já que há pouco Marx (e quando há o
didatismo por meio de exemplos, de fato, prejudica a forma) para muita
realidade pós-escravista em nosso parque industrial que mais parecia uma
fazenda com teares e chaminés. A despeito de eventuais dúvidas quanto a sua
função política, Geraldo Ferraz não poupou em classificar a obra como “um
romance de sentido revolucionário. Para fazer isso, a autora selecionou alguns
elementos e realizou numa forma sempre interessante, um trabalho notável, na
sequência episódica da narrativa. (...) Não é mais literatura sambinha de Mário
de Andrade Conservatório. Bobagem de Coelho Neto pró prêmio Nobel. Xaropes
ingleses de Machado de Assis. É a condição humana em que se enquadram as
relações do capital, na luta em perspectiva” (Correio de São Paulo, 7.01.1933)
Ainda assim, em meio a um
texto aparentemente didático, diria que há um eco da poética oswaldiana, as
frases curtas têm como centro a ação ou um elemento essencial do ambiente, que
funciona como síntese, sem se importar tanto com a descrição. Em favor de uma
certa velocidade, Pagu emprega cortes abruptos de uma cena para outra, às vezes
pequenos quadros justapostos, que dão um ritmo da narrativa muitas vezes
próximos ao de um poema em prosa, tanto que na seleção de sua obra que Augusto
de Campos preparou, ele pinçou passagens que se prestam justamente a essa
função. Mas há algo que nem em Oswald se encontra, a violência física também se
reproduz numa violência vocabular que registra as ofensas, o palavrão, a falta
de pudores com que as personagens falam de seus corpos ou mesmo do sexo, que
não é insinuado, sugerido, está presente na forma consentida ou não.
“— Eu só me caso com
trabalhador.
— Sai azar! Pra pobre
basta eu. Passar a vida inteira nesta merda” (...)
“Que importa morrer de bala
em vez de morrer de fome!” (...)
“Peitos propositais
acendem os bicos sexualizados” (...)
“Os professores penetram
nas classes depois de falar muito sobre crise, Sovadinhos. Recalcados. No meio
de tanta menina coxuda e bonita!” (...)
“Todas as meninas bonitas
estão sendo bolinadas.” (...)
“Sabe? Não quero saber de
uma puta!” (...)
“Por que nascera mulata? é
tão bonita. Quando se pinta então. O diabo é a cor. (...) Por que os pretos têm
filhos?” (...)
“— Abortar? Matar o meu
filhinho?” (...)
“Psiu! Benzinho! Vem cá!
Te dou o botão... Aumenta pouco a pouco o vocabulário erótico” (...)
“Eu prefiro a corcunda
porque ninguém quer. Essa ao menos é limpa!” (...)
“— Não chegue perto. Te
pego doença. Se você visse! Minha boceta é um buraco!
— Ora boba! Eu também estou
podre! Vem comer comigo! Xii! Caraio de boia! Tenho vontade de meter essa
porcaria no queixo do carcereiro. Todo dia esse macarrão fedido. Filho da puta!”
Parque
Industrial
é um romance proletário, sem dúvida, entretanto é preciso adicionar uma outra orientação
do discurso que lhe é inerente, é um romance proletário e feminista, e esse
diferencial é o mais significativo de sua obra, basta voltar às frases citadas
acima, suas personagens são em geral as jovens da periferia, moradoras de
cortiços na Penha, de vilas operárias da Zona Leste, trabalhadoras
cotidianamente humilhadas nas fábricas de tecidos do Brás ou costureiras da
Barão de Itapetinga. Algumas notas contemporâneas refutavam justamente os
desvios vocabulares, que fazia do romance impróprio para alguns leitores, e
outros chegaram a considerá-lo pornográfico. Murilo Mendes ao resenhar o livro
para o Boletim de Ariel, chegou a pôr
em dúvidas as intenções revolucionárias de Pagu, chamando o livro de
“reportagem impressionista” de uma autora pequeno burguesa, para quem a
revolução seria resolver a questão sexual... Embora fosse uma forma de diminuir
sua proposta, a leitura de seu romance deixa clara que a revolução haveria de passar
por uma emancipação feminina. Por serem mulheres (algumas mulatas, é importante
que se diga), as relações de trabalho são ainda mais violentas que as
prescritas pelo manual do Partido, que seguramente não dizia nada sobre assédio
sexual, violência doméstica, abandono, aborto, prostituição, crianças pobres
fora das escolas, trabalhadores analfabetos. Talvez aí esteja a importância
dessa obra, é uma narrativa com as “cores” do Brasil colonial em pleno
século XX, com desvios sociais que só podem existir onde sequer há a noção
de coletividade, agravando as relações hierárquicas. Em mais de um momento a
palavra “escravo” aparece em substituição a “trabalhador”, o que seguramente
evidencia um modo não dogmático de ver as relações de classe no país e as
formas de combatê-las.
A prosa dos anos 1930 tem características
sociais e políticas claras, mas na sua quase totalidade as obras que ilustram o
período são as ambientadas no sertão nordestino, onde a marca da opressão
social se manifestava na seca, no engenho, no coronel, um Brasil “regional” que
parecia então talvez um fóssil. Já o romance urbano, com antecedentes num
Machado de Assis ou num Lima Barreto, que tivesse operários e pobres como
protagonistas não mereceu a mesma atenção da crítica, tal como mereceu da
polícia política do Getulio Vargas, e não falo só no Parque Industrial, penso em O Gororoba,
de Lauro Palhano, também ignorado em sua importância para uma narrativa popular
no Brasil. Pagu era uma militante que não encontra similar entre os
intelectuais nacionais do modernismo, alguém capaz de enfrentar fisicamente — e
armada segundo os relatos — um bando de alunos de direito do Largo de São
Francisco que queriam empastelar a redação de O Homem do Povo, tendo pago por isso o alto preço do
encarceramento e do ostracismo das editoras e seus contemporâneos. Um perfil da
época, descreve-a como “o tipo mais interessante de mulher que o Brasil
produziu. Bonita, inteligente, livre de preconceitos (...). Com aquele gênio e
aquelas manias, Pagu forçosamente deveria ser comunista. (...) Somente nós,
parasitas de sangue de barata seremos capaz de ver o que Pagu viu e ficar
calados. Ela não. Ela viu e falou. Gritou. Esbravejou. Bateu-se como uma leoa
pela causa. Ela que podia, com sua beleza, conquistar milionários, preferiu
conquistar os miseráveis. Ela que poderia viver no luxo, preferiu viver no
simples. Que podia andar de sedas, anda em modesto vestido de zephir. Pagu
fuma. Anda como homem, de passo firme. E diz os nomes feios que os homens dizem.
É um tipo original, em suma, essa Pagu.” (O Malho,
15.04.1933) Em Parque Industrial, ela
não se exime de retratar polícias infiltrados, operários dedos-duros e poetas “lacaios”
dos capitalistas ilustrados que financiavam a modernização em São Paulo (“como
não hei de ser comunista se sou moderna?” diz uma caricata D. Finoca,
velha protetora das artes novas, que bem poderia ser uma D. Olivia Guedes
Penteado), um único personagem burguês que acaba se convertendo à causa
operária, capaz de abandonar o Hotel Esplanada e vestir as roupas do
trabalhador, acaba sendo acusado de divisionista e trotskista, não merecendo
nem mesmo a compreensão da militante que o acolheu em sua cama.
Depois dos anos 1940,
depois de se desligar do Partido Comunista, Pagu seguiu sua militância privada,
escrevendo e traduzindo, até morrer praticamente esquecida em 1962, tendo que
esperar por quase duas décadas que um Augusto de Campos a resgatasse em todo o
seu valor, por sinal, Augusto chama Parque
Industrial de “a última pérola modernista engastada na pedreira do nascente
romance social dos anos 30, do qual é um excêntrico e atrevido precursor”. Mas
ainda segue pouco reconhecida em sua importância no processo de modernização da
literatura brasileira e dos próprios intelectuais do século XX. Nesse
momento em que mais uma vez a burguesia parece dar as costas ao país, voltarmos
ao exemplo Parque Industrial talvez
nos ajudasse a entender o papel dos escritores nesse cenário, ainda mais hoje
quando além dos escritores egressos da burguesia, cada dia mais surgem aqueles
nascidos nas periferias que Pagu descreveu e que desde então seguem
praticamente ausentes do imaginário literário nacional.
*
Nota: Paulo Ferraz
participará no debate “Entre golpes: mulheres e política na literatura
brasileira, de 1933 a 2018”, com Ana Rüsche, Augusto de Campos (a confirmar) e
Marília Moschkovich (mediação), promovido pela editora Linha a Linha na ocasião
do lançamento da nova edição de Parque
Industrial, dia 23/06 às 16h na Tapera Taperá, Av. São Luís, 187 – 2° andar,
loja 29 – República – São Paulo.
16 juin 2018
Les couvertures de la littérature prolétarienne
José
Mancisidor
[1894-1956]
La ciudad roja
(Novela proletaria)
[roman]
Jalapa,
Editorial Integrales, 1932
13x19,5 cm,
222 p.
Couverture
de Leopoldo Méndez (1902-1969).
Pas
d’achevé d’imprimer, pas de justification de tirage.
[Traduction
française en préparation — pour l’éditeur inconnu.]
Les couvertures de la littérature prolétarienne
Lorenzo
Turrent Rozas
[1903-1941]
Hacia una literatura
proletaria
[essai,
suivi d’une anthologie collective]
Xalapa,
Ediciones Integrales, s. d. [1932]
ca. 12x19 cm, xxii-83 p.

Au
sommaire, après l’essai-titre, « 7 cuentos proletarios » :
Enrique Barreiro Tablada, « Contra el embajador » ; Álvaro
Córdoba, « Transición » ; Germán List Arzubide, « Pared de
adobes » ; José Mancisidor, « El sargento » ; Consuelo
Uranga, « Un crimen » ; Mario Pavón Flores, « El camarada
Gerardo Uroz » ; Solón Zabre, « El huelguista ».
[Traduction
française en préparation — pour l’éditeur inconnu.]
15 juin 2018
Arqueles Vela & « le roman inédit du stridentisme »
Tandis que l’on
parle tant & plus de retraduction des classiques, les mêmes, toujours les
mêmes, arpentons donc les terrains vagues & cultivons la diversité, chérissons
aussi la rareté que rien n’indique à un facile commerce & débusquons même
les hapax éditoriaux !
Avec ce roman d’Arqueles Vela, par exemple.
1927-1977 : pendant 50 ans inédit en espagnol & jamais repris. 2027 :
bel horizon pour une traduction française...
…il n’y a pas de protagonistes ;
mais des antagonistes…
Le manuscrit introuvable
Avertissement
C’est la première fois
qu’un livre posthume — le livre que l’on écrit après la mort, selon la
définition transcrite dans le manuscrit introuvable — est publié en toute
logique, car, conformément à ses préceptes, l’homme meurt plus d’une fois au
cours de son existence…
Ainsi, le texte que nous
offrons à présent fut commencé à Mexico, en 1925, quand le grand maître et
philologue Pablo González Casanova, à qui l’on racontait la réalité de l’un des
chapitres, suggéra à l’auteur d’en composer l’histoire complète, et c’est ainsi
que débuta l’histoire…
Cette année-là, l’auteur,
bousculé par des vicissitudes sentimentales, se sentit forcé de voyager, et
comme, selon le vieil apophtegme, voyager c’est mourir un peu… l’auteur mourut
un peu…
Par la suite, à Madrid, en
1927, rue Velázquez, n° 4, studio de Ramón Gómez de la Serna,
durant une discussion avec Marichalar, Benjamín Jarnés, Maroto, le grand
inventeur des greguerías dit : —
« Nous savons ce qu’il ne faut pas faire en matière de roman… Antonio
Espina, dans Pájaro pinto, et
Arqueles Vela, dans El intransferible,
défrichent la voie… »
Ainsi, El intransferible devait être publié à
Madrid… mais, parce qu’il appartenait à la bande républicaine du Café Saboya,
aux côtés de Valle-Inclán, García Lorca, Martín Luis Guzmán, Ortega, l’auteur,
expulsé d’Espagne, entreprit un autre voyage et mourut, encore une fois, un
peu… Ensuite, à Paris, à l’Ambassade du Mexique, à la fin d’une lecture de El intransferible devant Alfonso
Reyes — alors ambassadeur —, Carlos Pellicer, Germán Cueto, Manuel M. Ponce et
Miguel Ángel Asturias, les éditions París-América s’offrirent de le publier.
Mais… tandis que l’on corrigeait les épreuves de la première édition, l’auteur,
démis de son poste de correspondant à la Revista
de Revistas et à Jueves de Excélsior
par J. M. Durán y Casahonda, qui venait de prendre en charge la gérance du
groupe de presse qui éditait les hebdomadaires cités, dépourvu de tout autre
moyen de subsistance et de séjour, comme un autre condamné aux périples,
abandonna Montmartre et La Rotonde, se lançant dans un autre voyage vers
l’Allemagne et de nouveaux horizons inconnus… et mourut encore un peu…
À la fin de son moratoire
sentimental, de retour à Mexico, quand l’un de ses plus grands amis éditeurs
lui annonça que s’il publiait El intransferible,
non seulement il irait en prison avec l’auteur, mais que l’on détruirait ses
biens jusqu’à la cinquième génération, l’idée de jeter l’œuvre en pâture au public
fut ajournée…
Mais voilà qu’un groupe d’enthousiastes jeunes gens, fondateurs des éditions Gama, décide de l’envoyer à
l’imprimerie, courant le même risque que l’auteur… et la fait imprimer comme le
roman posthume du stridentisme, cinquante ans après qu’elle a été écrite.
A.
V.
Trad. de « Prenunciación »
préf. d’Arqueles Vela [1899-1977]
à El intransferible
(La novela inédita del estridentismo)
Mexico, Editorial Gama, 1977, 157 p.
(achevé d’imprimer le
15 août 1977, tiré à 3000 ex.)
Première et unique édition en espagnol.
Traduction française en préparation, pour l’éditeur inconnu.
12 juin 2018
Sobre Pagu e seu romance proletário
« Há uma maneira popular de se
falar da obra de Patrícia Galvão que consiste em se evitar falar da obra de
Patrícia Galvão e apenas ressaltar o folclore em torno da autora, ficando
subentendido que aquilo que ela escreveu foi tão rico quanto aquilo que viveu.
[…] »
Logo em breve, cada um poderá fazer
sua própria leitura…
11 juin 2018
5 juin 2018
1933 : le moment prolétarien dans les lettres brésiliennes
Pour
célébrer l’imminente parution
de
Patrícia
Galvão (Pagu)
Parque industrial
romance proletário
dans
une
nouvelle édition brésilienne
nouvelle édition brésilienne
☟
retour
en 1933
avec
un
feuilleton
critique
de
Geraldo
Ferraz
tiré du journal
O Homem Livre
O Homem Livre
*
4 livraisons (en portugais) :
4 livraisons (en portugais) :
1933 : le moment prolétarien dans les lettres brésiliennes (4/4)
O lado demonstrativo das
contradições
Na
inconciencia de nossos literatos sempre andou uma certeza : nós não
tomamos atitude na questão social nem ela nos interessa. A literatura é isto. Creação,
inspiração, arte pela arte, etc. Hoje quem repetir assim continua dizendo
bobagem.
Erigiu-se
na literatura chamada passadista, em maximo da atividade literaria o humorismo
de Machado de Assis, intelectual superior, com um desprêso absoluto pela
alegria e pela dôr, sorriso safado de quem comeu e não gostou, mas finge que
gostou. Essa literatura desestimulante, encontra mais tarde proseguidores nos
modernistas, devido muito á facilidade da linguagem que transformara em feição
humoristica o que se escrevia decalcando os modernistas estrangeiros. E Memorias sentimentais de João Miramar é
a prova mais forte dessa afirmação, em seu vasio de comentario inutil.
Entretanto,
o humorista sempre tomou partido, alguns póde muito bem ser que na inconciencia
da nossa profunda ignorancia coletiva, mas outros na pirataria nacional da
quasi colonia que precisava ir remando contra a maré enganando os trouxas entre
as duas margens, dum lado o clero doutro a autoridade. Essa Autoridade que
começava no funcionario publico de baixa categoria, que passava pelo soldado
razo e de que usufruiam gôso no pais feudal e pobre o filho das familias ricas
e as meretrizes dos homens importantes, o fazendeiro e o comerciante, o dono da
renda e o presidente da Republica. Doutro lado o padre, gosando e comendo o
Brasil por uma perna.
Mas
o humorista sempre soube esconder o seu jôgo melhor que os outros.
*
* *
Os
literatos do periodo do nosso romantismo e mais tarde do periodo do nosso
naturalismo eram grandemente amigos das classes que estavam de cima. Nas paginas
de Macedo e de Alencar, nas de Aluisio e de Raul Pompeia, a escravidão negra
era um mal necessário, a miseria da grande massa era hipócritamente ignorada, a
submissão do indigena era exaltada, a fome sexual reprimida por uma psicóse ou
sublimada no trama dos romances canalhas e superficiais. E assim por deante até
o nosso modernista que escreveu a historia da alemã profissional que ensinava
amor pro menino rico de Higienopolis. Literatos que recebia festinhas por isso…
Nenhum
desvio na róta.
*
* *
No
genero muito apreciado do ensaista, a pêna de Jackson de Figueiredo se enfeitou
com as galas da defesa diréta da igreja e de todo o seu obscurantismo, da
propriedade privada e da exploração do homem pelo homem.
Afogado
felismente Jackson de Figueiredo, outro ensaista Tristão Amoroso Lima de
Ataide, juntou besteira na defesa da classe de piratas a que pertence, como
grande industrial. Tornou-se o lider, o grande homem do clericalismo na terra. Deitou
artigos e se encheu de autoridade critica.
A
corrente antropofágica de São Paulo marcou época para os que tomaram parte nela
e ficou como ponto de referencia na evolução natural do pequeno grupo. Maria
Lôbo surgida depois com o seu livro desconcertante no equilibrio de uma linha
marcada a unhas e dentes, tomou o nome do parque industrial de S. Paulo
nos dando algumas aguas-fortes do que êle é em seu sub-solo inesplorado.
Dai
pra cá mais nada.
No
prefacio de Serafim a que me referi noutro dia, Osvaldo de Andrade agora escreve direito ainda por linhas tortas.
*
* *
Todas
essas diretrizes estão bem delineadas.
Hoje
nos encontramos num angustiosa encruzilhada pensando o que escrever. Se nunca houve
arte pela arte agora mesmo é que o concenito não cabe na camisa de onze varas em
que se meteu o mundo. O literato some. A literatura brasileira se satura de
livros de divulgação cientifica, e se esparrama nas traduções dos romances
sensacionais de todos os paises. Os literatos paulistas ficam nos artigos de
jornais. Alguns mais safados como Plinio Salgado, formam na corrente dos que
procuram a harmonia social, sob a tutéla do Estado integral, e são Gustavo Barroso,
Ribeiro Couto, etc.
O
que está faltando aos literatos do meu pais, são as diretrizes claras e
precisas impostas pelo momento historico universal.
Do
catolicismo á « melancia organica », citada pelo amigo Serafim. E dai,
o rumo para onde nos levam as consequências deste tempo do barulho é aquêle da
realidade objetiva da vida, no seu lado demonstrativo das contradições
economicas de todos os dias.
Geraldo Ferraz.
Texte
original (graphie non actualisée) tiré de :
O Homem Livre, São Paulo
1e
année, n° 9, 24 juillet 1933
rubrique
« Literatura », p. 3
1933 : le moment prolétarien dans les lettres brésiliennes (3/4)
« Na maré alta da
ultima etapa »
Escolho
para titulo desta seção de literatura hoje uma frase solta de Serafim Ponte [Grande], o romance de
Osvaldo de Andrade que a estas horas já deve estar á venda nas livrarias. É que
a publicação dêste livro constitue um acontecimento notavel, embora esteja um
tanto desambientada a concepção, do mais completo romance que as letras
modernistas produziram no pais. E assim esta seção fica dedicada ao
aparecimento de Serafim Ponte [Grande].
A frase colocada no alto destas colunas é a definição da situação atual do
mundo, dentro da qual e em conflito com a qual se coloca Serafim, o pequeno
burguês brasileiro, tipico, tão humano como dom Quixote, representativo como
qualquer um desses tipos da fição, que monopolizaram o simbolo da duvida de
Hamlet, do romantismo no joven Werter e tão real como a Bovari do naturalismo
francês. « Na maré alta da ultima étapa » é verdadeiramente a
tradução literaria da definição materialista, desse « traço carateristico
da nossa época », ultima étapa do capitalismo…
Produto
de uma fase de debate da nossa literatura, o livro de Osvald do Andrade,
entretanto, escapa completamente aos moldes transitórios, artificiais, das
obras produzidas durante as agitações renovadoras, para se situar num periodo
de amadurecimento, que é o periodo de estratificação do proprio escritor,
fragmentário em Memorias sentimentais de
João Miramar, e nas poesias indecisas de Páu Brasil.
A
definição materialista que me vem preocupando desde o titulo, é amostra de
atitude diferente agora mantida pelo romancista. Faz parte do prefácio, escrito
neste ano, como profissão de fé que o autor achou necessária para justificar a
publicação de Serafim.
Em
1928 se estava atravessando a primeira fáse da antropofagia, quando ela era
considerada atitude inteletual sem divergencias, dentro da qual cabiam desde o
futil escritor Antonio França Junior de Alcantara Machado, o poetinha Guilherme
de Almeida e o autor de Macunaima que
só entrára no brinquedo, como me confessou, para manter o « aplomb* »…
Lógo porém se processava a definição de certas tendencias mais decisivas e se
dava a desagregação. Quando Raul Bopp e Osvald de Andrade me propuzeram a
fatura da « Pagina de antropofagia », a desagregação daqueles
elementos já se déra, na heterogeneidade evidente, diante da intransigencia dos
antropofagos que não papavam hostia nas missas de Santa Cecilia, e deixavam de
lado os « salões da nossa melhor sociedade ». Pra diante os
antropofagos dando de fazer propaganda de algumas idéas tidas como avançadas,
tais como o exame pré-nupcial, a educação sexual e outras coisas assim, a
direcção do Diario de S. Paulo, com
o gerente Orlandinho Dantas, á frente, poz na rua o grupo que perpetrava, para
goso dos pais de familia, a escandalosa literatura semanal da corrente
antropofagica. O ciclo assim encerrado, em escaramuças que tiveram duração de
poucos mêses, deu entretanto alguns livros e exarcebou maiores pesquizas. Freud
fôra posto de lado, em contáto com Jung, Politzer e Adler. Preocupavam-nos mais
os teoristas da Gelsttat e da behaviour. Serafim
é bem dêsse periodo, não importando que fôsse começado antes, pois me recordo
de capitulos inteiros publicados ai em 1926 no finado Jornal do Comércio, onde Osvald escrevia a « feira das quintas ».
Só
então Serafim ganha ultima forma. Lembro-me
que ai o escritor destruiu a pagina da dedicatória, a « ilustre dama
paulista ».
Logo
de frente, Macunaima, de Mário de
Andrade, se torna uma obra sem interesse para o leitor de hoje. Os golpes
militares nos aguçaram mais as sensações e não é qualquer pastiche de folclore
tomado dos « nhengatu’s » que nos vá impressionar agora. Mas Serafim é diferente. É um sujeito jogado
na maré alta da ultima etapa, que vive e se agita entre as contradições
econômicas da grande terra pobre, recalcado e imoral, deflagrando a sua
existencia em moles aventuras sexuais, perturbado por um passado sofredor e
praticando ofensivas vibrantes em busca de solução para o seu conflito interior
de incontentado.
Toda
uma antologia dessas angustias que cruciam a pequena burguesia da terra do
café, classe média oscilante e depositária das instabilidades morais e
materiais da nacionalidade informe, passa como um filme minucioso aos olhos de
quem lê. A camera lenta descreve em requintes de estilo « moderno » a
noite de amor em frente ao mar, primeiro desabafo Serafim gosando, e nos dá as
descrições adjetivosas e transparentes da viagem ao Oriente e a visita ao Santo
Sepulcro, onde um guarda informativo esclarece Serafim que Cristo nasceu na
Baia… A revolução de 1924 tem paginas de estilo heroico, e o casamento de
Serafim á vasado num « schetch » de efeito escandaloso, como o áto
teatral de Serafim perante a Justiça por causa do cachorrinho Pompeque.
As
paginas de bordo têm analogia com as do « Terremoto Doroteu », se
dando nelas a exteriorização da vida tortuosa e torturada de Serafim, que o
romance de Dorotéa nos mostra em toda a extensão de seus tumultos provocados
pelas contingencias domesticas, povoadas de pontos de referencia cujos pólos se
situam na mulher com quem casou, e na outra que aparece, a « unica
declamadora diseuse com temperamento que possuimos ».
Para
terminar, eu acredito que não teremos tão proximamente em nossa literatura um
recorde igual de invenção e realização do que êste que Osvald conseguiu
realizar, desmandibulando os nossos literatos modernos, e a corja sem nome dos
coelhosnetos que ainda pulula pelo pais despoliciado. É o documento do estado
atual da classe média, no que poderia haver de mais notavel como literatura
moderna do Brasil tambem em sua ultima etapa. Daqui pra diante, a historia será
outra.
Continuaremos
a traçar nossas « diretrizes » de que nos afastámos para prestar a
atenção que merece o fabuloso humorista que creou a figura caricatural e
realista deste Serafim satirizado. O boêmio-burguês se vingou da classe média
no livro, e se voltou numa atitude perfeitamente logica para o proletariado, no
prefacio sincéro, que relata a evolução operada nos cinco anos transcorridos da
ofensiva antropofagica á adesão conciente ao marxismo e suas consequências.
Geraldo Ferraz.
Texte
original (graphie non actualisée) tiré de :
O Homem Livre, São Paulo
1e
année, n° 8, 17 juillet 1933
rubrique
« Literatura », p. 3
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